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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

MIAMI BASS - BAIXAS VIBRAÇÕES



10/29/2004
MIAMI BASS - BAIXAS VIBRAÇÕES



De todos os géneros de música que cultivam ligações mais ou menos claras ao mundo do S.E.X.O., o Miami Bass (ou Booty Music ou Bass Music, conforme lhe queiram chamar...) é o que o faz de forma mais descarada. Talvez porque o género tenha dado os primeiros passos nos clubes de strip da capital da Flórida, talvez porque o calor húmido próprio daquele Estado convide as pessoas nos clubes a largarem as roupas ou, muito simplesmente, e nas palavras imortais dos Renegade Soundwave, talvez porque as mulheres respondem às baixas freqüências...
Seja como for, é longa a ligação do Hip Hop ao “bottom end”, que é como quem diz ao espectro de freqüências mais baixas, aquelas que são menos ouvidas e mais sentidas no próprio corpo. Kool Herc, o pai fundador do Hip Hop, importou da sua Jamaica natal o hábito de construir os seus próprios sound systems, com woofers gigantes para que o “boom” da música se sentisse bem forte nos estômagos. Com essa experiência bem presente, Afrika Bambaataa – com a ajuda de Arthur Baker e de uma 808 – criou Planet Rock uma faixa que, sozinha, haveria de influenciar os clubes de house, techno, electro e, claro, os clubes de Miami.

Com muito do seu poder ligado à descoberta da Roland TR 808 (uma caixa de ritmos com um kick drum mítico...), Planet Rock cedo se aliou em Miami a faixas como Clear dos Cybotron de Juan Atkins. Estávamos em 1982/1983 e o mundo nunca mais seria o mesmo.
Esse som influenciou rapidamente o produtor “Pretty” Tony que vendo aí uma oportunidade, cedo começou a editar. Look Out Weekend por Debby Deb foi uma das suas primeiras produções, antes de editar os Freestylers, um grupo de Electro responsável pelo lançamento de outro sub-género, precisamente baptizado com o nome Freestyle (electro influenciado pela música latina dos clubes...).
Nesta época, Luke Skywalker (que haveria de apadrinhar e integrar-se nos 2 Live Crew...) era o gerente do Pac Jam (um daqueles clubes onde se dançava de patins...) onde muitos dos temas de "Pretty" Tony rodavam com insistência. Mas continuava a faltar-lhes qualquer coisa... Mr. Mixx, produtor e DJ dos então californianos 2 Live Crew, começou a mexer na 808 e descobriu que podia baixar ainda mais as freqüências... E a revolução explodiu! Luke não tardou em identificar um potencial nas produções de Mr Mixx e acabou por financiar o seu 12” Throw The D/Ghetto Bass, que seria bem mais recebido em Miami, obrigando o grupo então a imigrar para a Florida.


Aliando a música aos clubes de South Beach, onde praticamente ninguém se dava ao trabalho de trocar a roupa com que tinha passado o dia ao sol, o Miami Bass nasceu e criou fenómenos que cedo passaram as fronteiras da Florida. No final dos anos 80, e por um momento, quando os 2 Live Crew forçaram os censores a dar atenção a “As Nasty as They Wanna Be”, o mundo vibrou com os sub-graves exportados de Miami. E também soube unir-se para defender o direito de Luke celebrar os prazeres da carne de uma forma que muitos julgam primária. As batalhas foram ganhas, e o baixo de Miami infiltrou-se no mundo: Shake Your Rump dos Beastie Boys (que dedicaram um número inteiro da sua já defunta revista Grand Royal à Bass Music com um artigo de DJ Shadow sobre o género e tudo), Rump Shaker dos Wrexckx-N-Effect’s, Baby Got Back de Sir Mix a Lot, muito dancehall, algum drum n’ bass e 2 Step são hoje claros devedores das explorações ao coração das baixas freqüências efectuadas pelos pioneiros de Miami. E este género até encontrou na Alemanha um segundo mercado preferencial, com um circuito de festas, editoras, revistas e websites a suportarem a cena da Bass Music.




Nomes como Dynamix II, Magic Mike, DJ Battlecat, The Mix Crew, MC Ade, Maggotron, Speakerhead ou Missy Mist servem como referências para quem queira usar a net para procurar mais informações sobre o assunto. Mas não é fácil, uma vez que o verdadeiro Miami Bass continua confinado aos clubes menos turísticos de Miami.
A Mo Wax de James Lavelle deu alguma atenção ao Miami Bass através da edição de trabalhos de DJ Assault e DJ Magic Mike, dois dos mestres do género. A Booty Music, essa, continua forte em Miami, agora sub-dividida em muitos géneros, uns mais próximos do Techno, outros ainda retendo a sua ligação ao Hip Hop, mas todos apostados em “baixar” cada vez mais a fasquia dos sub-graves. Enquanto mulheres devidamente despidas abanam literalmente os traseiros com este som...


(versão original deste texto publicada em 2002 na Dance Club)


Retirado do Blog Hit da Breakz V3.0

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Ronaldo DJ

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